PICHE e PENAS


Você já viu vendedores informais oferecendo litros de mel nas ruas, no estacionamento de um supermercado ou em praças públicas? Questionados quanto à pureza do produto, invariavelmente dizem ser mel puro, vindo da roça, coisa fina. Porém, na imensa maioria dos casos, o produto foi adulterado ou nem se trata de mel, mas de uma mistura que recebeu caramelo, xarope de glicose, açúcar invertido, corantes, aditivos e outras substâncias que não só alteram o sabor, como fazem mal à saúde. O indivíduo vende uma coisa e entrega outra. Mente descaradamente, trapaceia, engana o cliente. Esse, por sua vez, tão logo descobre a farsa, nunca mais torna a comprar daquele fornecedor. Com a internet, esse tipo de engodo acontece todo dia. Muita gente compra gato por lebre, por vezes sendo motivado por ofertas que de produtos e serviços que parecem irresistíveis, que prometem resolver, quase que magicamente, todo tipo de problema. Pegue o que acontece em minha área de atuação, por exemplo, que é a de cursos online e treinamentos presenciais. Vejo muita gente oferecendo programas que me fazem olhar de soslaio, quando vejo ou ouço a oferta. Você sabe como é: a gente inclina a cabeça um pouco e olha pra tela do computador ou celular com o canto dos olhos, dizendo algo como "Hum, não sei não...” Ouço um monte de discursos exagerados, de quem está apenas claramente tentando vender. Pessoas que abusam das frases de efeito, carregam nas cores com que pintam os cenários possíveis a partir da aquisição do produto, e prometem mais do que podem cumprir.


Não há nada de errado em vender, entenda bem. É uma atividade ser digna e legítima. Eu mesmo vendo, inclusive pela internet, quando crio um novo treinamento. Tem profissionais bons, competentes e confiáveis vendendo ótimos programas, que realmente promovem resultados.


Também há, infelizmente, quem entrega menos do que foi oferecido e até algo que simplesmente não é o que foi vendido. Não era mel; era xarope.O problema não é vender; o problema é não ser verdadeiro.


Se você que me lê vende alguma coisa, de alguma forma, cuide para entregar – no mínimo – aquilo que promete. Melhor ainda: entregue MAIS, de modo que seu cliente fique satisfeito e até positivamente impressionado.


Sempre tive muito cuidado com isso. Por exemplo, atualmente estou divulgando meu treinamento presencial, que é uma formação para profissionais que desejam desenvolver e aplicar treinamentos e palestras de forma criativa e orientada para resultados. Uma das promessas que faço é a de cada participante sair com um roteiro pronto para seu primeiro treinamento ou palestra, que irá estruturar a partir do método e técnicas que vou ensinar. Se isso porventura não acontecer, sua percepção de valor do programa certamente será comprometida.


No entanto, se além desse plano o participante levar consigo dinâmicas, jogos e recursos que poderá utilizar de imediato e que sejam superiores ao que tinha imaginado, então... Terminará o programa com a certeza de que foi um ótimo investimento de tempo e dinheiro. Possivelmente falará bem do trabalho para outras pessoas e, quem sabe, fará parte de um novo curso que eu ministre, no futuro.


Seu cliente é seu maior bem. Atender às suas necessidades, desejos e mantê-lo por perto, satisfeito e leal, deve ser seu objetivo e alvo de sua constante atenção. Seja qual for seu ramo de atuação, seja transparente, entregue mais do que vende, conquiste a confiança de seu público.


Se, por outro lado, você não trabalha vendendo, mas desempenha o papel de cliente, busque identificar quem vende o que realmente lhe fará bem e quem cumpre o combinado. Existem, sim, soluções muito boas; mas desconfie de milagres instantâneos, ainda que bem embalados, apresentados e recheados de bônus.


No Velho Oeste, e antes disso na época das colônias, trapaceiros recebiam um castigo chamado "piche e penas". Pego em flagrante, o indivíduo desonesto era submetido ao humilhante processo de receber uma camada de piche que lhe cobria todo o corpo. Em seguida, penas de galinha eram-lhe despejadas, facilmente grudando na substância viscosa.

O sujeito passava então pela humilhação de ficar assim, todo lambuzado e parecendo uma ave gigante, diante de todos que se reuniam para o espetáculo, pois a punição era aplicada sempre publicamente.


Pois bem, às vezes penso que se isso ainda acontecesse nos dias de hoje, teria muita gente por aí emporcalhando o teclado ao pesquisar no Google: “Como remover piche do corpo?”.


Não acha?

Douglas Peternela


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