INOVAÇÃO FRUGAL: Um caminho mais simples para inovar


Muita gente pensa que inovação é algo somente para uns poucos iluminados, um processo que requer toques de genialidade. Que, para inovar, é preciso criar alguma coisa a partir do zero, vinda de uma ideia totalmente nova e mirabolante.

O fato é que os temas inovação e criatividade parecem assustar pessoas, em especial aquelas que não se acham criativas, mas que sentem certa pressão no ambiente de trabalho para apresentarem ideias e uma postura inovadora.

O estrategista de inovação Navi Radjou, colunista da Harvard Business Review, contribui para deixar o assunto um pouco menos nebuloso, mostrando que inovação pode ser algo mais simples do que aparenta. Aliás, buscar o simples pode ser algo genial.

Radjou estudou pessoas e empresas em diversos países que praticam o que chama de Inovação Frugal – basicamente, fazer mais com menos. Em algumas regiões, nas quais recursos básicos são escassos, somente a engenhosidade humana pode levar a soluções que criam valor. Indiano, o estrategista emprestou do idioma hindu um termo que traduz isso: “jugaad”. Jugaad é uma palavra que designa uma solução improvisada, uma alternativa inteligente nascida da adversidade. Aliás, Jugaad Inovation é o nome do livro que Radjou escreveu com outros dois autores. No Brasil, o título ficou A Inovação do Improviso (editora Campus Elsevier).

“Soluções Jugaad não são sofisticadas ou perfeitas, mas geram mais valor a baixo custo” – diz ele. Como exemplo, cita Mansukhbhai Prajapati, um ceramista indiano que criou uma geladeira inteiramente feita de argila e que mantém frutas e vegetais frescos por vários dias, sem qualquer energia. Ou um estudante de engenharia peruano que criou um outdoor para gerar mais de 90 litros de água purificada extraídos do ar. Em Lima, a umidade do ar é alta, mas a incidência de chuvas, baixa. Usando um recurso abundante – a umidade do ar – o outdoor contribui para gerar água potável, um recurso escasso.

Mansukhbhai Prajapati e sua geladeira de argila que não precisa de energia: para manter a temperatura

interna baixa, basta encher o compartimento superior com água fresca.

Os três princípios da Inovação Frugal

A partir de seus estudos, Radjou identificou três princípios da Inovação Frugal. Acredito que possam ser úteis para muitos e não apenas para empreendedores em locais com escassez. Conheça-os agora, seguidos de meus comentários:

1 – MANTENHA A SIMPLICIDADE. Não crie soluções complexas, pensando em impressionar seus clientes. Pense em soluções fáceis de usar e acessíveis.

Às vezes, encantamo-nos tanto com uma ideia, por sua riqueza de detalhes e complexidade, que sequer pensamos na possibilidade do cliente não gostar dela. ”A solução é tão elaborada, deu um trabalho enorme para estruturar tudo, como alguém poderia deixar de adotá-la?” Cuidado: essa complexidade pode ser justamente o problema. Pergunte-se, ao elaborar um serviço ou produto novo: Está simples o bastante? Podemos simplificar? Como deixar a experiência mais fácil e eficaz para o cliente?

Pode até ser um jargão meio batido; mas o tal “menos é mais!” realmente faz sentido para um grande número de situações. Hoje em dia, as pessoas querem simplicidade, agilidade, ganhar tempo. Tente ser mais direto e objetivo. Isso não é ser “raso”; é focar no que realmente importa e, de fato, agrega valor.

2 - NÃO REINVENTE A RODA. Tente alavancar recursos e ativos amplamente disponíveis.

Uma empresa no Quênia está usando telefones celulares para receber pagamentos de um kit para captação de energia solar. Naquele país, 70% da população não tem energia em suas casas. Mas quase todos têm celulares. Micropagamentos de 45 centavos são feitos diariamente e no final, a pessoa torna-se proprietária de um sistema que lhe provê energia limpa. Assim, um recurso amplamente disponível está sendo utilizado para resolver um grande problema. Então, pergunte-se: quais recursos já temos disponíveis e podemos utilizar para alavancar negócios, para simplificar a vida do cliente, para tornar mais produtiva nossa equipe?

3 – PENSE E AJA HORIZONTALMENTE.

Empresas tendem a crescer verticalmente, centralizando suas operações em grandes fábricas e armazéns. “Mas se você quer ser ágil e lidar com a imensa diversidade de consumidores, deve expandir horizontalmente, usando uma cadeia distribuída de fornecedores, com menores fábricas e unidades de distribuição.” – afirma o autor. Adapte esse princípio para sua realidade e pense: como posso criar iniciativas e soluções que tenham mais agilidade em sua execução? Como utilizar parceiros e pares para que as coisas aconteçam, de forma mais descentralizada?

Em muitas situações, uma boa ideia emperra porque foi projetada de tal modo que decisões importantes ficam concentradas em poucas pessoas, no topo da organização. O que pode ser modificado ou criado, que dependa muito menos de níveis verticais para acontecer?

"Bem, isso tudo é muito óbvio." - você pode pensar. Só que não.

Os três princípios podem parecer muito simples e até mesmo óbvios. Entretanto, nem tudo que tem essa aparência necessariamente é algo praticado. Nas organizações com as quais tenho tido contato através de meu trabalho, por mais de duas décadas, percebo muitas pessoas complicando o que poderia ser mais fácil e deixando de implementar boas ideias justamente por parecerem simples demais.

Inovação Frugal é a habilidade de gerar mais valor econômico e social usando menos recursos. Não está relacionada a cumprir mais tarefas, mas fazer melhor as coisas. No livro Essencialismo – A disciplinada busca por menos (Editora Sextante) do autor Greg McKeown, também encontramos algo que lembra esse conceito: “O essencialista não faz mais coisas em menos tempo – ele faz apenas as coisas certas.”

Você, tem feito isso? Correr feito doido, sempre muito ocupado, não significa ser produtivo. Releia os três princípios e cogite a hipótese de aplicá-los no que estiver fazendo nesta semana. Pode ser que você produza algo... inovador. Mesmo que simples.

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Douglas Peternela

doug@dougpeternela.com.br


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