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  • Douglas Peternela

Por que usar jogos para ensinar e inspirar?


Você já reparou como as pessoas ficam totalmente envolvidas, quando estão participando de um jogo? Seja uma partida de futebol, um jogo de tabuleiro com amigos sentados sobre o tapete da sala, ou mesmo um solitário jogador com um controle de videogame nas mãos, o fato é que o tempo parece passar de um jeito diferente, para quem mergulha nessa experiência. Surge uma energia, uma vibração visível, que provoca total atenção dos envolvidos, além de momentos de pura diversão. Quando o jogo é bom, as pessoas não querem que termine; frequentemente sorriem e desfrutam de momentos muito agradáveis. Se você já jogou Imagem & Ação, War ou um um jogo de cartas entre amigos, sabe do que estou falando.

Por que um jogo provoca esse tipo de reação? Que elementos possui para envolver as pessoas dessa forma, às vezes por horas a fio? É possível utilizar esses elementos para ensinar conteúdos ou provocar reflexões que permitam mudar comportamentos?

Neste artigo, vou responder a essas perguntas e mostrar que jogos podem ser grandes aliados, se você deseja ensinar ou inspirar pessoas para mudanças.

Personagens da série Big Bang Theory divertindo-se com um jogo de tabuleiro.

Por que as pessoas jogam?

Existem vários motivos que fazem do ato de jogar um fenômeno social incrivelmente interessante e complexo. Obviamente, não trato aqui dos jogos de azar, que envolvem dinheiro, apostas e podem provocar compulsão e vício. Refiro-me aos que se joga por diversão, como crianças de antigamente com bolinhas de gude. Escolhi concentrar-me em três razões pelas quais as pessoas jogam:

1 – Superação. Uma característica presente em todo jogo é o desafio. Seja em uma partida de xadrez ou em simples jogos de papel e caneta, como o Stop, tão jogado por crianças e adolescentes (inclusive as de hoje!) há um desafio implícito: o de superação, tanto do próprio jogador quanto dos colegas com quem joga. Esse é um dos motivos que fazem uma pessoa ficar bastante tempo repetindo um mesmo movimento com o personagem que controla em um videogame, por exemplo: o desejo de ultrapassar determinado obstáculo, de dominar certa habilidade, de ser capaz de fazer com sucesso algo que antes não conseguia.

Parece que a maioria das pessoas tem prazer nessa superação. O jogo proporciona um ambiente seguro, uma realidade à parte, que incentiva mais ousadia e determinação do que a que muitos experimentam na vida real. Como se trata de um universo próprio, sem maiores implicações e nenhum risco, muitos se sentem mais... destemidos, que em seu dia a dia.

2 – Interação. Muitos jogos favorecem interação, entre os jogadores. Pessoas de diferentes formações, áreas, idade e, nos casos de jogos virtuais, até países, passam a contribuir entre si para o atingimento de objetivos comuns. Jogos têm a capacidade de criar a identidade de equipe ou time, com relativa rapidez. Para pessoas mais tímidas, pode ser uma forma de interagir mais fácil e natural que a de outras situações sociais. E para quem travar contato com estranhos não é problema, pode ser uma forma divertida de conhecer pessoas.

3 – Diversão. Um jogo deve ser, por natureza, divertido. Se os desafios impostos, grau de complexidade ou ritmo não forem adequados, o jogo deixa de ser uma experiência divertida e, portanto, perde seu poder de engajar. Jogar é um movimento voluntário. As pessoas somente decidem dedicar seu tempo a um jogo quando percebem que há uma chance de ser uma experiência divertida. Se assim não for, podem rapidamente abandonar o jogo.

Usando jogos para ensinar e inspirar

Para ensinar algo a alguém ou provocar reflexões que despertem mudanças de comportamentos, é preciso obter atenção e engajamento. Seja qual for seu público, se você não for capaz de obter sua atenção, nem de estimulá-lo, como espera conseguir ensinar ou inspirar?

Existem algumas formas de fazer isso, mas considero uma iniciativa muito eficaz e promissora, a de utilizar mecânicas de jogos em atividades educacionais, para crianças e adultos. Afinal, quando bem utilizadas, permitem reproduzir o mesmo nível de engajamento e energia que os jogos criados para diversão.

Em busca do Cristal Mágico, um dos treinamentos baseados em jogos, que desenvolvi.

Então, se você é um professor, coach, profissional de treinamento, terapeuta ou líder de equipes; se tem o desafio de promover resultados superiores através da mudança de comportamento e/ou aquisição de habilidades de outras pessoas, gostaria de lhe apresentar essa perspectiva: por que não utilizar os princípios de um jogo para conduzir suas atividades?

Da maneira como você vem trabalhando e com as técnicas que utiliza, tem conseguido promover desafios, superação, interação e diversão? Você tem obtido o nível de comprometimento e atenção necessários para o que aprendizado aconteça e novas atitudes sejam despertadas?

Percebo uma clara semelhança entre um jogo e o processo de ensinar e inspirar alguém. Em um jogo, sempre há um objetivo, regras e algumas estratégias possíveis (que variam de acordo com sua complexidade) para o jogador evoluir na direção de seu objetivo. Pode-se dizer que um jogador sempre parte de um ponto A para um ponto B.

Da mesma forma, em uma seção de treinamento, aula, coaching e outras formas de facilitação de aprendizagem e mudanças, há também um resultado em vista, um estado desejado a ser conquistado. Sempre há um ponto A e um ponto B. Quem procura um coach, quer alcançar um resultado superior ao que vem conseguindo, em determinada área de sua vida. Os participantes de um treinamento, mesmo que de teor técnico, querem adquirir um conjunto de habilidades que lhes permitam trabalhar de uma forma diferente, proporcionando-lhes oportunidades de resultados distintos.

Mesmo um aluno, em uma sala de aula, ainda que não tenha clareza de sua falta de conhecimento sobre certo assunto, está em um ponto A – determinado estágio de conhecimento – e tem um ponto B em vista, que seria o domínio, em nível satisfatório, desse conteúdo. Para isso, alunos, participantes de treinamentos, coachees, membros de uma equipe etc., precisam dispor de certas estratégias que lhes permitam progredir, em direção a esse ponto B.

Aqui entra meu ponto de vista, que me levou a escrever este artigo: ora, se há tantas semelhanças entre os dois processos – o de jogar e o de progredir em termos de aprendizado – por que não usar os elementos de um, em outro? Por que não emprestar as mecânicas de jogos, que produzem efeitos tão desejáveis em se tratando de engajamento, nos processos de ensinar e inspirar pessoas? Quando bem planejados e utilizados, jogos podem ser recursos incríveis para promover aprendizado e inspirar para a ação.

É claro que a mera utilização de placares, badges ou troféus, pontos, recompensas, dados, tabuleiros e outros elementos e artefatos de jogos não assegura que o processo de aprendizagem e sensibilização aconteça de forma divertida e, sobretudo, mais eficaz. É preciso, mais que usar gamification ou criar soluções de aprendizagem que envolvam jogos, estar muito atento aos objetivos e resultados que se espera atingir com a ação. Então, escolher a melhor forma de promove-los. Tenha em mente que um recurso assim sempre é um meio, não um fim em si mesmo.

Considero muito importante adquirir o pensamento de quem cria jogos ou, como gosto de falar, o mindset de um inventor de jogos. Isso lhe permitirá, mais do que utilizar um jogo que você conseguiu obter pela internet ou em um livro, poder criar seus próprios jogos, de modo que sejam perfeitamente adequados aos objetivos de aprendizado que você definir, junto a seu cliente, coachee, aluno ou equipe.

Então, você conseguirá, diante de um desafio, criar soluções que promovam engajamento, diversão, superação, interatividade e, sobretudo, aproxime-o dos resultados desejados.

É o que tenho feito, nos últimos 16 anos; a partir de necessidades reais de equipes corporativas de muitas empresas que já atendi, desenvolvi programas de treinamento cuja base são jogos que divertem, ensinam e inspiram.

Não é preciso ser um inventor de jogos, por natureza; é possível tornar-se um. É algo possível de ser aprendido.

Se essas ideias fazem especial sentido para você, “coloque isso em seu radar”. Atente a toda oportunidade de aprender sobre o tema. E pergunte-se: “Eu poderia transformar em um jogo esse meu desafio? Isso facilitaria o aprendizado, inspiração e geraria mais engajamento?”.

Por fim, se você quiser aprender a metodologia que tenho utilizado para criar jogos de treinamento já vivenciados com sucesso por milhares de pessoas, pela Flamma Treinamentos Criativos, há uma ótima oportunidade para isso. Estou com inscrições abertas para uma nova turma de meu curso UPGRADE YOU Experienciar – Aprenda a criar seus próprios jogos para treinamento, aulas e coaching. É um programa que acontece através de aulas ao vivo, online. Saiba mais clicando neste link:

https://www.douglaspeternela.com.br/upgrade-you-experienciar

Um abraço!

Douglas Peternela

doug@douglaspeternela.com.br


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