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  • Douglas Peternela

Você é autêntico?


Quanto você é AUTÊNTICO?

Tenho pensado bastante nessa pergunta. Na verdade, percebi que autenticidade tem sido um tema recorrente em minhas reflexões, ultimamente. Por quê? Bem, talvez uma palavra resuma o principal motivo: relevância.

Ser autêntico é algo de grande importância, para uma vida mais relevante. Fiz algumas conexões a partir dessa ideia; permita-me dividi-las com você.

Quando nascemos, chegamos ao mundo na forma de um ser humano único. Uma série de fatores combinados fez de você um bebê com características individuais, exclusivas. Mesmo quem tem irmão gêmeo, sabe que existem várias diferenças entre um e outro.

À medida que crescemos, nos modificamos: pela influência da família, da cultura, do ambiente em vivemos, vão crescendo “camadas” em torno de nosso cerne. Aquele nosso modo autêntico, a essência que temos, vai ficando contida, abafada, cada vez menos acessada. A curiosidade infantil, o olhar de aprendiz, a espontaneidade e até o bom humor, por vezes, vão sendo substituídos por outros comportamentos, quando as responsabilidades da vida surgem.

“Brincar é falta de seriedade!”.

“Isso é coisa de criança!" ou "Você já não está grandinho para fazer isso?”

“Isso não dá dinheiro”.

“Não é uma profissão séria”.

“Melhor um pássaro na mão, que dois voando”.

“Por que você tem que ser diferente?”

“Faça como seu pai, seus irmãos ou aquele primo que é bem sucedido e responsável”.

“Você não tem condições, isso não é para você.”

Normalmente, ouvimos coisas assim, muito mais que palavras de incentivo. E tome camada! Sufocando a criatividade, os sonhos, a vontade de fazer diferente, de romper com o ciclo de vida que nos mantém seguros, mas pouco felizes.

Em seu trabalho cotidiano, na maneira como você ocupa a maior parte de seu dia, você tem sido você mesmo? Tem se anulado, deixando de lado – ou, sendo mais pontual – deixando DENTRO de si seus dons, desejos, interesses, uma parte sua que talvez muitos nem conheçam, ou tem explorado seu potencial?

Autenticidade e relevância

O Marinheiro Popeye, personagem dos quadrinhos e desenhos animados, criado por Elzie Crisler Seager, em 1929, tinha uma frase recorrente: “Eu sou o que sou, e isso é tudo o que eu sou!” (no original: “I am what I am, and that’s all what I am!”). Com certo pavio curto e se metendo em confusões que normalmente terminavam “no braço”, Popeye gostava de deixar claro que não tinha máscaras; era daquele jeito, e pronto. Meio que uma declaração do tipo: “Sou assim; quer gostem ou não.”

Mas ser autêntico, no contexto deste artigo, vai além de ser uma pessoa que tem opiniões fortes sobre as coisas ou que diz o que pensa e sente em qualquer situação, sem se preocupar com os outros.

Minha premissa é a seguinte:

  • Como todo ser humano, você possui talentos e aptidões; coisas para as quais tem uma facilidade natural;

  • Você também tem interesses específicos, coisas que lhe atraem, que podem se tornar verdadeiras paixões;

  • Dependendo do rumo que tenha dado à sua vida, você pode ou não estar empregando esses talentos e paixões, na maior parte de seu tempo.

Caso não esteja, pode ser que sinta que falta algo. Você pode ter um bom trabalho ou fonte de renda satisfatória; pode ser bem sucedido, e, em vários aspectos, ter uma vida confortável. Mas, você se sente, de fato, autêntico? Está sendo você mesmo?

Se, em vez dessa situação de certo conforto, você estiver em um momento de mudança – de emprego, de relacionamento, de cidade – enfim, em um desses momentos de novas definições, pergunto: Não seria hora de buscar mais autenticidade?

Quando você coloca seus talentos e paixões a serviço de outras pessoas, encontra muito mais significância em sua vida. Um propósito, que é algo tão buscado por muitos, pode naturalmente surgir, a partir dessa combinação. Isso não implica, necessariamente, em trabalho voluntário. Utilizar seus talentos e paixões para atender necessidades e desejos de outras pessoas pode ser altamente recompensador, também em termos financeiros.

Qual é o seu cerne?

Ser mais autêntico, utilizando seus pontos fortes e paixões, implica em conhecer melhor a si mesmo. A ideia de “camadas sobrepostas”, que escondem sua essência, foi retratada de forma interessante em uma cena do filme de animação A Origem dos Guardiões (Dreamworks Animation, 2012). Dirigido por Peter Ramsay, que também foi o responsável por Monstros vs Alienígenas (2009) o filme tem personagens presentes no imaginário infantil, como Papai Noel, Fada do Dente, Bicho Papão, entre outros.

Na cena a que me refiro, North (o Papai Noel) leva Jack Frost (um garotinho invisível que controla o inverno e reluta em tornar-se um Guardião) à sua oficina, para uma conversa particular. Nela, pergunta a Jack: “Quem é você, Jack Frost? Qual o seu cerne?”. Então, pega um boneco de madeira parecido com a Matrioska, aquela tradicional boneca russa, que reúne várias bonecas de tamanhos diferentes, em uma só.

"É assim que você me vê, não é?” – diz Papai Noel, ao entregar o boneco para Jack. “Grandão, intimidador... Mas quando você me conhece um pouquinho... pode falar.” Jack então abre o objeto e, analisando outro boneco sorridente que havia ali dentro, diz: “Por dentro você é um... bonachão?”.

“Não apenas um bonachão, mas também misterioso, destemido e protetor” – diz North, à medida que Jack continua a encontrar mais bonecos, dentro do anterior. Finalmente, descobre um último, bem pequeno, que retrata uma criança com olhos enormes.

Papai Noel (que, no filme, é bem mais ousado e ágil do que o Bom Velhinho, com que estamos acostumados) diz que aquele é seu cerne: alguém de olhos bem abertos para a magia e beleza da vida. Afirma, com entusiasmo, que é assim que ele nasceu: com olhos que veem encanto em todas as coisas; é isso que faz dele quem ele é, um Guardião, que coloca esse encanto no mundo e o protege, nas crianças. “É o meu cerne; qual é o seu?” – termina, refazendo a pergunta a Jack.

Se você, que está lendo este artigo, também tem clareza de qual é seu cerne, e utiliza seus pontos fortes e paixões para agir de forma condizente com essa sua essência, certamente já enxergou a possibilidade real de uma vida mais autêntica e relevante. Essa clareza, a verdade de ser você mesmo, norteia suas ações e o torna mais destemido e ousado.

Mas, se ainda não vive assim, o que pode fazer a respeito? Por que não OUSAR ser mais autêntico? Qual é o SEU cerne?

Se essas minhas ideias sobre autenticidade fazem sentido para você, conte-me. Seu comentário será muito bem-vindo!

Um abraço,

Douglas Peternela

#autenticidade #autêntico #cerne

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